quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Riqueza de Espírito no Estado de Doença

Considerando como a doença é comum, como é tremenda a mudança espiritual que traz, como é espantoso quando as luzes da saúde se apagam, as regiões por descobrir que se revelam, que extensões desoladas e desertos da alma uma ligeira gripe nos faz ver, que precipícios e relvados pontilhados de flores brilhantes uma pequena subida de temperatura expõe, que antigos e rijos carvalhos são desenraizados em nós pela acção da doença, como nos afundamos no poço da morte e sentimos as águas da aniquilação fecharem-se acima da cabeça e acordamos julgando estar na presença de anjos e harpas quando tiramos um dente, vimos à superfície na cadeira do dentista e confundimos o seu «bocheche... bocheche» com saudação da divindade debruçada no chão do céu para nos dar as boas-vindas - quando pensamos nisto, como tantas vezes somos forçados a pensar, torna-se realmente estranho que a doença não tenha arranjado um lugar, juntamente com o amor, as batalhas e o ciúme, por entre os principais temas da literatura.

Virginia Woolf, in "Acerca de Estar Doente"

domingo, 9 de outubro de 2011

Sentido da Vida


Interrogo-me ultimamente, talvez pela sensação de proximidade da morte que a doença proporciona, sobre o sentido da vida. Há aqui uma pequena variante face ao que se possa pensar desta minha frase anterior. Não me debruço tanto sobre "o que faço, ou fiz aqui, ao longo deste meu tempo de vida", mas sim sobre "o que é realmente importante na nossa vida?". Para o cirurgião que me operou, a resposta deve ser (imagino) fácil. Adivinho que será "salvar vidas!". Para um craque de futebol tipo CR a resposta será "marcar golos", para um banqueiro será provavelmente "aumentar os lucros", para um político sério(?) será "contribuir para o bem estar e progresso dos cidadãos", para o trabalhador esforçado que ganha o ordenado mínimo será porventura "garantir um futuro melhor para os filhos...".
Mas... marcar golos e salvar vidas, ou educar cidadãos, ou varrer ruas ou seja, exercer condignamente uma profissão, dá um sentido à nossa vida?
Continuo à procura de respostas, sobretudo no interior de mim mesmo, que ainda não encontrei por completo - mas palavras como amizade, família ou liberdade vão fazendo cada vez mais sentido. Pelo menos na minha vida.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Vinho Galego...


O vinho tinto é meu primo,
e o branco é meu parente,
não há sítio no meu corpo
em que o meu primo não entre!

quadra popular galega

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Valter Hugo Mãe - a descoberta

Nestas férias li um livro que me encantou - A Fábrica de Fazer Espanhóis - aconselho vivamente.
Fui em busca de mais informação sobre este autor fascinante e descobri algumas coisas...
Ora vejam na apresentação desta obra, no Brasil.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Ilha da Madeira continua linda...



Apetece parafrasear Gilberto Gil e o seu "Rio de Janeiro", pois a Ilha da Madeira continua sendo..., tem velho balançando a pança, que dá ordens do terreiro, velho palhaço, velho guerreiro... viva o povo da Madeira... Aquele abraço!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Trabalho completo!

Agora sim, tudo está pronto e afinado no nosso barquinho.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Paulatinamente...





O nosso Alcião vai ficando totalmente equipado... Esta semana foi montada a protecção da vela grande e testada a nova genoa...azul e branca, linda, como o nome da pessoa que a fez. O resultado na água é espectacular com o Alcião a atingir boas velocidades mesmo com ventos fracos.
Restam agora poucos e pequenos reforços e intervenções para que tudo fique afinado e preparado para "o que der e vier"

terça-feira, 17 de maio de 2011

Achigã- Abertura da Pesca


Ontem iniciou-se o período oficial de pesca. Foi mais um dia espectacular a bordo do Alcião, tendo como motivação a captura desse delicioso peixe.
Com o primeiro a morder o isco esvaíram-se os receios de "grade" * e a pescaria começou a resultar traduzindo-se em cerca 11 exemplares de tamanho mediano, mas legal - todos apanharam peixe, à excepção do autor destas linhas, que nem por isso ficou menos agradado com a actividade.
Houve tempo para pescar, para petiscar, para tomar banho (a água estava esplêndida), e, como estávamos em maré de sorte, somente quando tínhamos o barco já amarrado e arrumado, começou a chover e trovejar.
Bom presságio, sem dúvida

* "grade" - não pescar nada

sábado, 7 de maio de 2011

Testes e afinações II





Finalmente a navegar com a nova vela. Foi testada sem recurso ao estai (vela triangular pequena, à proa).
Com o símbolo do Alcião estampado a azul sobre o branco alvíssimo da vela, ficou de facto muito bonita e valorizou imenso o nosso pequeno veleiro, em aspecto e velocidade.

Testes e afinações I



Ontem foi um dia inteiro dedicado a "trabalhos" no Alcião. Havia que experimentar a nova vela, criar um sistema de "Lazy Jack" no mastro e na retranca e..navegar!
O Lazy Jack ( fotos) não é mais que dois conjuntos de fios paralelos (tipo teia) que permitem que a vela assente no mastro e aí se mantenha, quando é arreada. Mas, fazer isto, obriga a baixar o mastro, fazer furações e aplicar pequenas alças onde os fios vão prender... tudo isto com o barco dentro de água... sem electricidade.
Valeu a equipa de "artistas" (houve quem fizesse uma directa para poder estar presente) que tudo resolveu e o aparelho ficou a funcionar satisfatoriamente, embora necessite ainda de umas pequenas afinações.

domingo, 1 de maio de 2011

Business is Business!



Na cidade muito turítica de Ürgub, Capadócia, entrei numa pequena loja igual a milhares de outras repleta de "recuerdos" para turista levar misturadas com algumas velharias, aparentemente genuínas.
O proprietário apresentou-se muito solícito e simpático e pretendeu saber a nossa nacionalidade. Quando lhe dissemos que éramos portugueses, ficou muito interssado e revelou-nos que Mário Soares e Maria Barroso já tinham estado na sua loja, e enquanto o Dr. Mário Soares fez questão de subir ao altíssimo castelo, Maria Barroso ficou recatadamente naquele estabelecimento à espera do esposo.
Apresentou-se como "Crazy Ali", vendedor, poeta e pintor. Pudemos observar poemas e pinturas de sua autoria, ofereceu-nos postais da cidade e comprámos-lhe algumas pequenas lembranças. Na hora da despedida, paguei as minha compras e quis deixar-lhe o troco, cerca de 5 euros. Devolveu-mos de forma muito simpática e digna afirmando: business is business!
Aqui deixo uma foto de Cray Ali e de um poema seu traduzido em castelhano.

sábado, 30 de abril de 2011

LAPA

Morreu a minha Lapa; atropelada. Companheira de muitos anos, (11, 12?) mil vezes escapou, à rasante, aos automóveis cá do bairro. Adivinhava-lhe uma morte doce, pela idade que já lhe pesava e se notava pelo (agora) calmo caminhar, pela menor frequência das corridas e crescente desinteresse pelas ocorrências envolventes. Afinal surpreendeu-me uma vez mais - morreu como viveu - livre e fora de casa. Certamente estará agora no céu dos cães rodeada de belos podengos, puros como ela. R.I.P.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Alcião tem vela nova


O nosso veleiro está todo vaidoso pois tem uma "farpela" nova, que é como quem diz, uma vela (vela grande) nova. Foi feita na empresa Vela-Rio, que é fabricante deste material para a Sagres. Por aqui já se pode aquilatar da qualidade deste "motor eólico" ;) !
Nos próximos dias, quando passar este tempo chuvoso e aborrecido, vamos testá-la e logo testemunharei aqui o seu comportamento e apresentação geral.
Foto: CHF

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quer um Guia na Turquia?



Apresento-lhe Müdjat(pode dizer tal e qual em português - Mudjat - não é exactamente assim, mas ele entende). Um guia excelente, fala português com fluência, culto e com bom sentido de humor. Tem estado ao serviço do Automóvel Clube de Portugal (ACP viagens),e faz um trabalho com grande profissionalismo e eficiência.
Se necessitar, não hesite - o contacto dele está aí - não se arrependerá.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um povo de mercadores



O espírito comercial é bem marcante do povo turco que com tudo procura fazer negócio. É um vinculo cultural, marca de séculos como entreposto comercial entre várias civilizações, caminho obrigatório para as diferentes rotas terrestres do oriente para o ocidente.
O esforço para vender, passa pela apresentação dos produtos, como todos sabemos. Nas fotos vê-se um pequeno exemplo desta realidade, num mercado semanal de uma pequena povoação próximo da cidade de Antália.

Chaminés de Fada



Na Capadócia, Turquia central, encontram-se estas formações geológicas cujo nome em turco tem esta tradução.São belíssimas e como o núcleo central é em tufo calcário que é macio, eram por vezes escavadas pelos trogloditas e serviam de habitação.
Algumas hoje são hotéis de charme, muito confortáveis... e luxuosos.

domingo, 10 de abril de 2011

Navegação




Bela tarde de domingo hoje. Um tempo excelente, muito sol e a algum vento convidando a desfraldar as velas. No entanto o dia de hoje era para testar o novo moto a quatro tempos. Portou-se lindamente. O Alcião com seis pessoas a bordo navega com muita graciosidade e o motor ronrona suavemente sem incomodar as conversas que se entrecruzam a bordo. Agora só falta mesmo é umas velas novas que as originais estão mesmo a pedir reforma...abrindo pequenos rasgões quando o vento aperta mais forte.

sábado, 9 de abril de 2011

A invenção da ambulância


Em 1913, pelo brasileiro João Guimarães Carreira, e montada em Portugal - documentada na revista Ilustração Portuguesa desse ano

segunda-feira, 28 de março de 2011

Mudança da hora


"O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou."
Vergílio Ferreira

terça-feira, 22 de março de 2011

Alcião



O título deste post também poderia ser "A Fénix Renascida".
Após vários anos de repouso e aturada reparação,e de uma passagem nas águas atlânticas, aí está o Alcião, o nosso pequeno veleiro, companheiro de tantas horas de prazer e convívio. Na foto fora de água estava no Porto da Nazaré a ser vistoriado pela capitania. Passou com distinção!
Agora já está na sua cama, na Marina do Castelo de Bode, preparado para nos proporcionar uns bons passeios por um dos mais belos locais de Portugal.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uns dias em Córdova



Que bom passar o Carnaval num local sem Carnaval. É o meu gosto, é claro!
Em Córdova fiquei no Hostal Santa Ana dentro do perímetro da cidade histórica, a uma centena de metros da Mesquita.Trata-se de uma pequena unidade hoteleira numa velha mansão recuperada. Sem luxos mas tudo muito funcional e a pensar no bem-estar dos clientes. Lençóis, toalhas e almofadas com o nome do hostal bordado; internet e cofre no quarto, totalmente gratuitos. Computador na zona comum com acesso igualmente gratuito. Optimas camas, limpeza impecável, muita simpatia. Recomendo e aconselho a ver as críticas no booking .
Não vou falar aqui dos monumentos que se podem ver que são muitos e estão muito bem documentados.
Na minha memória ficam gravados os pátios interiores das casas e restaurantes as flores nos vasos pregados nas paredes, as laranjeiras carregadas de frutos por todos os espaços públicos.
Um bom passeio, uma boa estadia, um belo local para aprender mais um bocadinho...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quase há dois anos...

Faz quase dois anos que aqui não escrevo uma linha. E tantas coisas se passaram neste tempo... Trabalhos diferentes, novos desafios, algumas viagens, muitas experiências e também uma doença que veio, qual jogo de cartas, baralhar a vida, partir e dar de novo, recomeçando um desafio em que cada dia é uma jogada que se tem que vencer para continuar jogando.
Aqui estou pois para ir colocando uns posts ao ritmo que me apetecer.
Aos meus amigos e familiares... aquele abraço